Tesouros da maré baixa
Cátia Ribeiro, 21.07.24
Em Lisboa, na zona das praias da linha de Cascais, mais concretamente ao lado da Parede, situa-se a praia das Avencas.

Antes de me dirigir a esta praia, consulto sempre a tabela das marés com a intenção de a frequentar nas horas de maré baixa. O meu objetivo é uma caminhada pelas rochas (sempre com calçado adequado para não ferir os pés ou escorregar) e observar a biodiversidade que nela encontramos.

Alerto que a maré enche mais depressa do que esperamos, não sendo difícil ficar numa situação desconfortável, sobretudo de máquina fotográfica na mão... Desta forma, aconselho a iniciar a caminhada antes da baixa-mar, para poder usufruir com mais calma da observação das rochas e da fotografia.
É, portanto, na baixa-mar que as formações rochosas desta praia deixam a descoberto uma série de charcos recortados, onde é possível observar as mais variadas espécies marinhas, sejam do mundo animal, como vegetal. Não deixa de ser curioso como no contexto marinho um se confunde tanto com o outro.

Assim, nas rochas é possível observar anémonas-do-mar, ouriços-do-mar, minúsculos camarões transparentes, caranguejos, caramujos ou burriés, lapas, mexilhões, bolotas-do-mar, estrelas-do-mar... No areal encontro os pilritos com os característicos avanços e recuos em relação às ondas.




A praia das Avencas é também designada como Área Marinha Protegida das Avencas (classificada como Zona de Interesse Biofísico das Avencas), pela sua constituição geológica aliada à diversidade de organismos nela encontrados a par com as consequências do aumento da pressão humana.
Todos vivemos ligados ao meio que nos rodeia como parte de um ecossistema cada vez mais fragilizado, sendo urgente a consciencialização para a sua proteção.

