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Diário de caminhada

"Pour les uns, qui voyagent, les étoiles sont des guides". - Le Petit Prince

Diário de caminhada

"Pour les uns, qui voyagent, les étoiles sont des guides". - Le Petit Prince

Frutos de outono, o rio Ceira e Ponte de Fajão

Avatar do autor Cátia Ribeiro, 08.12.25

Em inícios de novembro do ano passado, num fim de semana prolongado, aproveitei para me retirar para a montanha e procurar, através da minha lente, as cores do outono. Tonalidades que não sei descrever e nunca desiludem, seja em que formato de registo for. 

Fiquei hospedada em casa de uma amiga que mora na aldeia de Ponte de Fajão, perto da aldeia de xisto de Fajão, sede da freguesia de Fajão-Vidual, concelho da Pampilhosa da Serra.

Na casa dela, e nas habitações em redor, encontrei facilmente árvores de fruto carregadas, que nesta época do ano me facultaram a paleta de cores que procurava: dióspiros, figos em fim de época, romãs...

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O rio Ceira nasce perto da aldeia de Covanca e atravessa Ponte de Fajão com um leito característico serrano de águas cristalinas, puras e frescas. 

As fotos abaixo retratam uma das zonas do leito que os locais denominam de Gola Grande, onde ainda hoje, na época balnear, há quem a procure para fugir à confusão que se instala na praia mais a sul. 

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Pergunto-me se ainda lá estará a torga que o rio trouxe com as cheias de janeiro de 2023.

Ponte de Fajão não é considerada uma aldeia de xisto e nem todas as casas são revestidas por esta pedra sedimentar. Ainda assim, integra um dos pontos de passagem da Rota das Aldeias de Xisto e é possível encontrar algumas habitações com essa característica, como esta, situada na zona do Quelho, que ardeu no incêndio de 2017.

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Nesse fim de semana, tive também a oportunidade de visitar a aldeia de Fajão, já integrada nas Aldeias de Xisto, embora a minha atenção se tenha debruçado sobre o meu objetivo principal de registo das tonalidades outonais, tendo, por isso, direcionado o meu foco ao património natural. 

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Deverei, certamente, já ter visto um castanheiro tão grande e carregado, como este cuja copa se agigantava aos meus pés, pois encontrava-me num patamar superior, tendo atentado ao pormenor de alguns  ouriços "a sorrir".

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Da casa da minha amiga, a vista a 360º diminui-me perante os altos penedos de quartzito.

Ao final do dia, recordei ter assistido na infância ao último raio de sol que ilumina o pico da montanha, enquanto abaixo dele já o breu se estendera sobre a terra. Aí, só a iluminação das casas nos valem, quando caminhamos pelas ruas estreitas e xistosas ao sabor da aragem húmida e do cheiro a lenha das lareiras e salamandras que todas as casas deverão possuir. 

Aqui, aquecemo-nos à moda antiga, passa o tempo ao ritmo do sol e da lua, que, quando é nova, nos permite ler e seguir as constelações. 

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Outono em Monsanto 🍂🍁🍄

Avatar do autor Cátia Ribeiro, 09.11.25

Com o início do outono - o recomeço das caminhadas no parque florestal de Monsanto, que fazia há cerca de 10 anos e que agora retomei. 

Nem a propósito, este parque celebrou 91 anos no dia 1 de novembro. 

Não podia haver melhor altura para reiniciar-me nesta rotina do que no outono. Já por aqui caminhei em diversas estações do ano, mas julgo que das épocas mais bonitas para o fazer é no outono e na primavera. Pelo menos será nos equinócios que melhor se visualizam as mudanças. 

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Esculturas de caracóis - símbolo, para mim, da época das chuvas. 

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Como não podia deixar de ser, as maravilhas do mundo dos cogumelos, com as suas formas, texturas e cores.

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E a remeter para uma memória antiga em meados de outubro/início de novembro - os medronheiros carregados com os frutos mais maduros na parte superior e bem doces. Finalmente, pude reviver os hábitos dessa altura, de os apanhar e comer. Tinha mais saudades destas caminhadas do que me lembrava. 

Santuário da Peninha – caminhada outonal

Avatar do autor Cátia Ribeiro, 17.11.24

Numa das últimas caminhadas que fiz em Sintra, visitei um local que não conhecia e que fica no extremo oeste da serra de Sintra, sendo a sua referência mais próxima o Convento dos Capuchos, localizado mais a nordeste.

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Trata-se do Santuário da Peninha com a capela dedicada a Nossa Senhora da Penha, ali construída por, segundo a lenda, ser local de aparição de Nossa Senhora a uma pobre pastorinha muda, iniciando-se assim a sua devoção popular.

A versão mais recente da capela terá sido reerguida pela mão do ermitão de São Saturnino, Pedro da Conceição, entre 1690 e 1711.

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Foi numa tarde em inícios de outubro que fiz a caminhada, mas não contemplei a magnífica vista que se alcança da Peninha – um miradouro sobre Lisboa e Cascais, só possível visualizar com céu aberto, o que, pelo que percebi, é raro devido à altitude do local. Estava um nevoeiro muito cerrado que não se levantou com o passar das horas. Ainda assim, fiquei satisfeita com o que pude vislumbrar de perto e registar. 

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Segue-se abaixo do santuário, passando pela ermida abandonada de São Saturnino, o Bosque do Silêncio, de que nunca tinha ouvido falar. Local místico, como só em Sintra se pode encontrar, um bosque cerrado, escuro e naquele dia enevoado, que pelos seus caminhos nos conduziu à anta de Adrenunes. Fica assim, o primeiro registo a constituir parte do projeto pessoal de fazer um levantamento fotográfico de todos os recintos megalíticos que encontrar. 🌙

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A anta está a cerca de 1 km da Peninha, voltada para o pôr do sol, e supõe-se ter sido uma necrópole coletiva.

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