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Diário de caminhada

"Pour les uns, qui voyagent, les étoiles sont des guides". - Le Petit Prince

Diário de caminhada

"Pour les uns, qui voyagent, les étoiles sont des guides". - Le Petit Prince

Santuário da Peninha – caminhada outonal

Avatar do autor Cátia Ribeiro, 17.11.24

Numa das últimas caminhadas que fiz em Sintra, visitei um local que não conhecia e que fica no extremo oeste da serra de Sintra, sendo a sua referência mais próxima o Convento dos Capuchos, localizado mais a nordeste.

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Trata-se do Santuário da Peninha com a capela dedicada a Nossa Senhora da Penha, ali construída por, segundo a lenda, ser local de aparição de Nossa Senhora a uma pobre pastorinha muda, iniciando-se assim a sua devoção popular.

A versão mais recente da capela terá sido reerguida pela mão do ermitão de São Saturnino, Pedro da Conceição, entre 1690 e 1711.

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Foi numa tarde em inícios de outubro que fiz a caminhada, mas não contemplei a magnífica vista que se alcança da Peninha – um miradouro sobre Lisboa e Cascais, só possível visualizar com céu aberto, o que, pelo que percebi, é raro devido à altitude do local. Estava um nevoeiro muito cerrado que não se levantou com o passar das horas. Ainda assim, fiquei satisfeita com o que pude vislumbrar de perto e registar. 

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Segue-se abaixo do santuário, passando pela ermida abandonada de São Saturnino, o Bosque do Silêncio, de que nunca tinha ouvido falar. Local místico, como só em Sintra se pode encontrar, um bosque cerrado, escuro e naquele dia enevoado, que pelos seus caminhos nos conduziu à anta de Adrenunes. Fica assim, o primeiro registo a constituir parte do projeto pessoal de fazer um levantamento fotográfico de todos os recintos megalíticos que encontrar. 🌙

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A anta está a cerca de 1 km da Peninha, voltada para o pôr do sol, e supõe-se ter sido uma necrópole coletiva.

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A propósito do dia da saúde mental

Avatar do autor Cátia Ribeiro, 10.10.24

Segundo o site do SNS, hoje assinala-se o dia mundial da saúde mental, criado em 1992 pela Federação Mundial da Saúde Mental com o objetivo de dar a conhecer mais sobre o tema e combater o estigma associado. 

Pesquisando sobre o assunto, fui direcionada para o site abaixo: 

https://www.sns.gov.pt/noticias/2022/10/10/dia-mundial-da-saude-mental-10/

Considerando este dia, reli recentemente o livro Coisas de Loucos: O que eles deixaram no manicómio, de Catarina Gomes, publicado pela Tinta da China.

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A primeira vez que li o livro sentia-se ainda de perto o impacto que a pandemia teve na saúde mental das pessoas, tendo até sido criada a linha de apoio psicológico do SNS 24, mantendo-se ativa até hoje. 

O livro nasceu da descoberta acidental de uma caixa com pertences de antigos pacientes internados no hospital Miguel Bombarda, primeiro hospital psiquiátrico português, também conhecido como Hospital de Rilhafoles. A partir daqui, a autora iniciou uma pesquisa meticulosa para tentar "resgatar do esquecimento" os donos daqueles objetos. Desta forma, apresentou-nos as suas vidas, sonhos e o "gatilho" para a doença mental, que, lamentavelmente, não me parece assim tão improvável para qualquer um de nós.

Nas palavras da autora: "Podemos ir perdendo muitos chãos, à vez, ou então todos de repente. A doença mental pode medrar depois da perda de um emprego, de um divórcio, de uma viuvez, de um acidente, de uma doença grave." (p. 30) 

Infelizmente, a prescrição dos psicofármacos tardaria a ser introduzida naquela época, sendo a única possibilidade de tratamento o confinamento asilar, utilização de coletes-de-forças, a leucotomia, lobotomia, eletrochoques (hoje chamada eletroconvulsivoterapia), entre outros.

Partindo do termo "leucotomia", não sabia que o procedimento tinha sido criado pelo médico Egas Moniz, valendo-lhe o Nobel da Medicina.

O termo mais popularizado "lobotomia" terá sido uma variação do procedimento anterior criado por Walter Freeman e praticado de forma mais arbitrária, sendo este o termo que mais bem conhecemos e associamos à crueldade da prática. 

Graças a este livro, conheci sintomas que não sabia associados a determinadas doenças e como na época as doenças neurológicas e psiquiátricas se confundiam, tal como outros diagnósticos desfasados da realidade.

Aconselho vivamente a leitura deste livro. A escrita da autora aproxima-nos dos doentes, transportando-nos para a realidade e desafios que experienciaram, fazendo-nos sentir grande empatia por eles e tristeza pelos anos que perderam. 

Hibisco - flor de verão 🌺

Avatar do autor Cátia Ribeiro, 29.08.24

Flor que associo ao verão, o hibisco é uma espécie exótica que cresce em arbustos e floresce entre a primavera e o verão, até ao início do outono. 

Flor do Havai, podemos identificá-la facilmente em diversas cores, sendo a cor-de-rosa a que fotografei com mais frequência e ainda a vermelha e cor de salmão. Existem outras tonalidades que não cheguei a registar, tais como, brancas e amarelas. 

Abaixo seguem algumas que encontrei na minha "coleção" de fotos. 

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Mimo-de-vénus (Hibiscus rosa-sinensis)

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Rosa-da-síria (Hibiscus syriacus)

Introdução a Louise Glück

Avatar do autor Cátia Ribeiro, 17.08.24

Este verão não vou sair (fisicamente) de Lisboa. 

Este ano não vou, como tem sido habitual, à costa alentejana à procura de um mar revolto para nadar e mergulhar. Também não vou viajar para o campo, para casa de uma amiga minha, por exemplo.

Este ano, Lisboa vai ser a minha cidade de férias com o mar à porta numa (aparente) calmaria e vou procurar o campo no acolhimento dos jardins urbanos. A revisão, seleção e publicação de fotos também me transportará para outros tempos e lugares e, como não podia deixar de ser, a leitura terá um papel fundamental. 

Pareceu-me, pois, a altura ideal para conhecer Louise Glück com Uma Vida de Aldeia, edição bilingue (tradução de Frederico Pedreira), da editora Relógio D'Água. Autora distinguida em 2020 com o Prémio Nobel da Literatura e citando a badana da capa deste livro: "pela sua inconfundível voz poética, que, com uma beleza austera, tornou universal a existência individual". 

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Revi esta citação enquanto lia o livro e já tenho em espera na estante mais uns quantos da autora: Averno, Noite Virtuosa e Fiel e A Íris Selvagem, este último vencedor de um Pulitzer. Um livro de poesia receber um Pulitzer urgiu-me à sua leitura, já que sempre fui sensível às motivações de atribuição deste prémio. 

Num aspeto gráfico, gostaria também de elogiar o design escolhido para ilustrar as capas dos livros, desde as cores sintéticas, aos elementos presentes que nos introduzem à temática de cada um, com estreita relação ao título. 

Em Uma Vida de Aldeia encontrei a descrição do quotidiano campestre (para onde procurei viajar), mas também estão bem demarcados os elementos da passagem do tempo, seja pela mudança das estações, seja no envelhecimento das gerações e até nas alterações dos próprios lugares. 

O foco no agora e a impermanência do que nos rodeia, bem como a tentativa de contrariar essa inevitabilidade. 

"Na janela, a Lua surge suspensa sobre a terra, 

insignificante, embora carregada de mensagens. 

Está morta, sempre esteve morta, 

mas finge ser outra coisa qualquer, 

ardendo como uma estrela (...)

Se há uma imagem da alma, creio que é esta." (pp. 153 e 155)

Tesouros da maré baixa

Avatar do autor Cátia Ribeiro, 21.07.24

Em Lisboa, na zona das praias da linha de Cascais, mais concretamente ao lado da Parede, situa-se a praia das Avencas.

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Antes de me dirigir a esta praia, consulto sempre a tabela das marés com a intenção de a frequentar nas horas de maré baixa. O meu objetivo é uma caminhada pelas rochas (sempre com calçado adequado para não ferir os pés ou escorregar) e observar a biodiversidade que nela encontramos. 

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Alerto que a maré enche mais depressa do que esperamos, não sendo difícil ficar numa situação desconfortável, sobretudo de máquina fotográfica na mão... Desta forma, aconselho a iniciar a caminhada antes da baixa-mar, para poder usufruir com mais calma da observação das rochas e da fotografia. 

É, portanto, na baixa-mar que as formações rochosas desta praia deixam a descoberto uma série de charcos recortados, onde é possível observar as mais variadas espécies marinhas, sejam do mundo animal, como vegetal. Não deixa de ser curioso como no contexto marinho um se confunde tanto com o outro. 

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Assim, nas rochas é possível observar anémonas-do-mar, ouriços-do-mar, minúsculos camarões transparentes, caranguejos, caramujos ou burriés, lapas, mexilhões, bolotas-do-mar, estrelas-do-mar... No areal encontro os pilritos com os característicos avanços e recuos em relação às ondas. 

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A praia das Avencas é também designada como Área Marinha Protegida das Avencas (classificada como Zona de Interesse Biofísico das Avencas), pela sua constituição geológica aliada à diversidade de organismos nela encontrados a par com as consequências do aumento da pressão humana. 

Todos vivemos ligados ao meio que nos rodeia como parte de um ecossistema cada vez mais fragilizado, sendo urgente a consciencialização para a sua proteção. 

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Jacarandá (na minha varanda)

Avatar do autor Cátia Ribeiro, 16.06.24

Florescem na primavera e anunciam o verão, os jacarandás adornam de azul e lilás as avenidas da cidade, espelhando na calçada as copas floridas, tendo como único senão a viscosidade deixada aos transeuntes. 

A espécie de nome jacarandá-mimoso é originária da América do Sul, tendo sido introduzida em Portugal no século XIX, adaptando-se muito bem ao nosso clima, sobretudo de Lisboa para baixo, por não ser grande apreciadora do frio sentido a norte. 

No âmbito de um workshop de aguarela, tentei registar com esta técnica a árvore lilás, usando como fonte de inspiração a Av. 5 de Outubro.

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Trajeto de um meteoro

Avatar do autor Cátia Ribeiro, 19.05.24

Ontem à noite tive a sorte de visualizar a passagem do meteoro de que hoje tanto se fala nas redes sociais. Felizmente, tinha as cortinas da janela da sala abertas, tendo sido, por isso, percetível o clarão que, por um segundo, tornou o céu branco, como um grande flash, seguido por outro clarão menos intenso (julgo que  correspondente à cauda do meteoro), apenas cerca de um segundo depois. 

O que me veio ao pensamento de imediato é que seria um relâmpago, mas estranhei não ter ouvido o trovão... Uma amiga minha notou melhor do que eu o segundo clarão revestido por uma aura esverdeada, ao que associámos às celebrações da entrega da taça de campeão nacional ao Sporting, podendo tratar-se de foguetes luminosos. Ainda assim, estranhámos, mais uma vez, a ausência de ruído. 

Não pensei mais naquilo até ter sido surpreendida hoje de manhã nas redes sociais com vídeos do fenómeno, tendo procurado notícias sobre o assunto e, finalmente, compreendido o que tinha visto. 

Ao longo do dia de hoje, tenho acompanhado as notícias para saber os desenvolvimentos mais atualizados. Pesquisei na Internet pequenas curiosidades sobre o assunto, bem como num livro que tenho em casa chamado Estrelas e planetas, de autoria do Dr. Michael Eppinger e Angelika Lang, da Everest Editora. 

Verifiquei que meteoros ou estrelas cadentes são constituídos por rochas ou pó oriundos do Sistema Solar que, ao colidirem com a atmosfera a altas velocidades, entram num estado incandescente, provocado pela fricção, sobretudo quando esta tem lugar a cerca de 120 e 80 km de altitude. O meteoro de ontem teria uma dimensão superior às estrelas cadentes, sendo, por isso, bem mais visível. 

Relembrei também o facto de que se o meteoro cai na superfície da Terra sem ser "vaporizado" trata-se de um meteorito, por outro lado, se é destruído e dele não resta um fragmento de rocha suficientemente grande para análise, terá sido um meteoro, sendo, em princípio, esta a conclusão a que chegaram os especialistas no que diz respeito ao fenómeno de ontem, embora ainda estejam a ser realizados cálculos para localizar a trajetória do meteoro. Segue abaixo o link da notícia mais atual que li sobre o assunto:

https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/camaras-da-rede-allsky7-em-tomar-e-sao-bras-de-alportel-registaram-meteoro-maior-probabilidade-e-que-nao-tenha-caido-quase-nada-ou-tenha-ido-parar-ao-atlantico?utm_source=SAPO_HP&utm_medium=web&utm_campaign=destaques

Não consegui registar fotograficamente o momento e estava longe de imaginar o que era, mas fico contente por ter testemunhado este fenómeno! 💫☄️

Dia da espiga!🌾

Avatar do autor Cátia Ribeiro, 09.05.24

"Da Páscoa à Ascensão, 40 dias vão".

Sigo a tradição de pendurar um ramo do Dia da Espiga atrás da porta em substituição da do ano anterior. 

No meu arquivo fotográfico que tenho vindo a consultar e publicar, penso que não cheguei a encontrar registos de videiras, alecrim e se captei oliveiras talvez não tenha percebido de imediato devido à distância. Mas, ao longo das minhas caminhadas fotografei alguns dos seus elementos, tais como, papoilas, malmequeres e uma espiga ao lado de uma corriola-rosada. 

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50 anos do 25 de Abril!

Avatar do autor Cátia Ribeiro, 25.04.24

Foi durante a minha demanda pela criação de um inventário fotográfico sobre arte urbana, que tive a sorte da minha tia me referir este mural. Andava a registar elementos marinhos pintados nas paredes junto às praias de Oeiras e Cascais, quando a minha tia me levou até este viaduto decorado com o 25 de Abril, de autoria de Nomen, junto à INATEL de Oeiras. Quando o fotografei em 2022, não me passou despercebido o x que alguém traçou por cima do cravo, ainda assim, a vivacidade do vermelho da flor e da mensagem de esperança conserva-se.

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Não me lembro porque é que não registei o mural que fica do lado oposto, que alude ao MFA, mas provavelmente foi devido ao trânsito. Motivo para lá regressar! 

E porque a poesia está na rua, seguem-se 2 poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen: 

Noite de Abril

Hoje, noite de Abril, sem lua,
A minha rua
É outra rua.

Talvez por ser mais que nenhuma escura
E bailar o vento leste
A noite de hoje veste
As coisas conhecidas de aventura.

Uma rua nova destruiu a rua do costume.
Como se sempre nela houvesse este perfume
De vento leste e Primavera,
A sombra dos muros espera
Alguém que ela conhece.

E às vezes, o silêncio estremece
Como se fosse a hora de passar alguém
Que só hoje não vem.

[In "Obra Poética I", Círculo de Leitores, 1992]

Revolução

Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta

Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício

Como a voz do mar
Interior de um povo

Como página em branco
Onde o poema emerge

Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação

[In "Obra Poética II", Círculo de Leitores, 1992]