Segunda leitura de Louise Glück
Cátia Ribeiro, 24.02.25
Quando comprei de uma assentada três livros de Louise Glück - pensei logo que aquele de capa escura iluminada pela lua ficaria reservado para uma leitura de inverno.
Foi assim com o livro Noite Virtuosa e Fiel, segunda obra que li de Louise Glück, edição bilingue (tradução de Margarida Vale de Gato), da editora Relógio D'Água. Autora distinguida em 2020 com o Prémio Nobel da Literatura.

Escolhi lê-lo nesta altura do ano porque o termo "noite" lembra-me o inverno que associo à noite mais longa do ano, mas também a um estado de espírito introspetivo. À medida que ia lendo os poemas, encontrei o silêncio, a memória nostálgica da passagem do tempo apresentada de forma não necessariamente cronológica e o recolhimento e perceção de acontecimentos passados pelo ângulo de alguém que tem a sabedoria da não-envolvência.
Tal como a imagem da noite, dilui-se a diferença entre a realidade e o sonho e até a ideia da inconsciência da própria morte.
"Não se esqueça de mim, gritei , quando finalmente o alcancei.
Minha senhora, disse ele, apontando para os carris,
como há-de ver, com certeza, isto é o fim (...)" (p. 51)
"O fim ia e vinha.
Ou, diria antes, a espaços o fim aproximava-se (...)" (p. 99)
Ainda nesta temática de inverno, noite, lua... Tentei captar a primeira superlua do ano numa ode à noite - com neblina, como temos visto durante a noite e dia.


