50 anos do 25 de Abril!
Cátia Ribeiro, 25.04.24
Foi durante a minha demanda pela criação de um inventário fotográfico sobre arte urbana, que tive a sorte da minha tia me referir este mural. Andava a registar elementos marinhos pintados nas paredes junto às praias de Oeiras e Cascais, quando a minha tia me levou até este viaduto decorado com o 25 de Abril, de autoria de Nomen, junto à INATEL de Oeiras. Quando o fotografei em 2022, não me passou despercebido o x que alguém traçou por cima do cravo, ainda assim, a vivacidade do vermelho da flor e da mensagem de esperança conserva-se.

Não me lembro porque é que não registei o mural que fica do lado oposto, que alude ao MFA, mas provavelmente foi devido ao trânsito. Motivo para lá regressar! ![]()
E porque a poesia está na rua, seguem-se 2 poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen:
Noite de Abril
Hoje, noite de Abril, sem lua,
A minha rua
É outra rua.
Talvez por ser mais que nenhuma escura
E bailar o vento leste
A noite de hoje veste
As coisas conhecidas de aventura.
Uma rua nova destruiu a rua do costume.
Como se sempre nela houvesse este perfume
De vento leste e Primavera,
A sombra dos muros espera
Alguém que ela conhece.
E às vezes, o silêncio estremece
Como se fosse a hora de passar alguém
Que só hoje não vem.
[In "Obra Poética I", Círculo de Leitores, 1992]
Revolução
Como casa limpa
Como chão varrido
Como porta aberta
Como puro início
Como tempo novo
Sem mancha nem vício
Como a voz do mar
Interior de um povo
Como página em branco
Onde o poema emerge
Como arquitectura
Do homem que ergue
Sua habitação
[In "Obra Poética II", Círculo de Leitores, 1992]







